Avanço do desenvolvimento tecnológico favorece setor e sociedade com sistemas que apoiam desde a reciclagem profissional até os diagnósticos e tratamentos

Roupas com sensores de sinais vitais, games para fisioterapia, robôs para cirurgias e remédios de asma com GPS. São muitos os gadgets dirigidos à área da saúde. E, na era digital, além de equipamentos e tecnologias aplicadas, a internet também tem um importante papel na disseminação de conteúdo, na construção do conhecimento e até no diagnóstico e tratamento de pacientes.

Um dos importantes desenvolvimentos nacionais nessa área é o Projeto Homem Virtual. Criado na disciplina de telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em 2003, ganha, desde então, constantes aprimoramentos. Com imagens tridimensionais e dinâmicas do corpo humano – com recursos de computação gráfica e design digital –, o Homem Virtual reproduz um conjunto bastante completo de informações, de moléculas a músculos. Enfim, um grande acervo multimídia para teleducação e educação presencial.

Adotado para diversos fins didáticos, o projeto colabora com a educação médica e ainda ajuda na orientação de pacientes, no treinamento de agentes promotores de saúde e até no reforço de campanhas de esclarecimento. Na cidade de São Paulo, o Catavento Cultural Educacional (antigo Palácio das Indústrias) conta com uma área dedicada ao corpo humano. Lá, qualquer visitante pode conferir painéis e vídeos do Homem Virtual, que mostram riscos e efeitos do álcool, do cigarro e das drogas em geral.

Há muito tempo, a digitalização e a análise de imagens já são frequentes nas tecnologias aplicadas à saúde. Na ortopedia e na fisioterapia, os avanços têm sido impulsionados pelos esportes de alta performance.  A artroscopia, por exemplo – cirurgia de joelho realizada com apoio de visualização por vídeo –, sofisticou-se imensamente desde sua primeira realização, em 1918, no Japão.

Hoje, os equipamentos de raio-X digital com alta resolução, as ressonâncias magnéticas e outras tecnologias para avaliações computadorizadas já oferecem tanta precisão que podem dispensar, em muitos casos, a própria intervenção cirúrgica. Um sistema recente, o Termovisor, adotado inicialmente em cavalos de competição, já começa a ser aplicado em humanos. E é capaz de ler a temperatura de diferentes partes do corpo e indicar, com mais acerto, os casos de lesões ortopédicas difíceis de serem detectados.

Games “medicinais”

No mundo dos jogos, a fisioterapia encontrou um importante aliado. No Polo de Games de Santa Catarina, a empresa brasileira Fisiogames criou um produto voltado à recuperação de vítimas de acidentes com problemas nos membros que já está em testes em clínicas e hospitais.

A ideia é reproduzir os exercícios necessários ao tratamento em ambientes lúdicos e divertidos, calibrando resistência e nível de intensidade do esforço exigido do jogador. As atividades envolvem, por exemplo, encher um balão ou operar uma máquina de sorvete, por meio de joysticks similares aos do console Wii, da Nintendo.

Outro modelo nacional de game para fisioterapia surgiu no Recife, resultado do trabalho de alunos do Centro de Informática (CIn) e de estudantes de fisioterapia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O jogo Kapp, baseado na plataforma Wii, induz movimentos corporais dirigidos e fisioterápicos no jogador, que tem de pilotar um peixe e desviá-lo de obstáculos.

Segundo especialistas, já existem cerca de 300 games voltados ao uso médico. Além de incrementar os tratamentos, eles acreditam que os jogos eletrônicos têm efeito adicional, ao promover a melhoria da autoestima e das condições emocionais dos pacientes.

Em termos de tecnologia assistiva, uma importante fonte de informações é o Portal Nacional de Tecnologia Assistiva, viabilizado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (Secis) do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), em parceria com o Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil).

Tema abordado pelo Universo EAD, na edição de março de 2010, o portal oferece um Catálogo Nacional de Produtos de Tecnologia Assistiva com informações sobre os itens fabricados e distribuídos no Brasil, conteúdo de grande auxílio a pessoas com deficiência, idosos, familiares e profissionais da reabilitação.

Controle remoto

Outra tendência ascendente são as tecnologias remotas para acompanhar o estado de saúde das pessoas a distância e antecipar diagnósticos. Até “roupas inteligentes” já estão sendo criadas para monitorar sinais vitais. Entre as aplicações, espera-se obter diagnóstico precoce em atletas e acompanhá-los remotamente.

O projeto é de cientistas da Universidade Carlos III, em Madrid, na Espanha. Seu protótipo tem sensores que registram temperatura do corpo, batimentos cardíacos e outras funções vitais – dados que são tratados por um sistema de informação que avalia, entre outros aspectos, os impactos do nível de atividades físicas em exames, como eletrocardiogramas.

Para pacientes em homecare, por exemplo, a roupa inteligente também poderá fornecer informações de controle para médicos e equipes de saúde. Ente os recursos previstos, está a possibilidade de programar alarmes, sempre que os parâmetros pré-determinados forem ultrapassados.

Outro controle remoto já promete, em breve, socorrer pacientes com asma. Ainda em fase de testes na Universidade de Wiscosin-Madison, nos Estados Unidos, o Spiroscout parece uma “bombinha” tradicional, mas vem equipado com GPS e conexão à internet wi-fi. Com isso, toda vez que é utilizado pelo paciente, o próprio dispositivo dispara uma notificação para a central de dados. Depois, quando conectado (via USB) a um computador, o aparelho transfere as informações do paciente para o Asthmapolis, um aplicativo para dispositivos móveis, com ferramentas para geração de gráficos, mapas e tabelas.

Mais impressionante é o projeto da israelense Brainsway, que produziu um capacete ligado a uma bobina para disparar estímulos magnéticos no cérebro. Indicado para aliviar a dependência de drogas e para doenças neurológicas ou cerebrais – como Mal de Alzheimer e esquizofrenia, por exemplo –, o novo método estimula apenas a área do córtex relacionada ao transtorno e não todo o cérebro.

Segundo Avraham Zangen, neuroconsultor da Brainsway, diferente da terapia de eletrochoque – ainda adotada para casos que não respondem a outros tratamentos –, a nova tecnologia leva o tratamento a um nível superior. “Ganhamos o efeito benéfico da terapia de choque sem os efeitos colaterais”, diz.

Conectar é preciso

Paralelamente aos resultados diretos obtidos com as novas tecnologias, todos dispositivos e dados exigem recursos de transmissão abrangentes e eficientes. A boa notícia é que um recente levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) apontou que, desde o começo do ano, o acesso por banda larga ganhou 19,5 milhões de novos assinantes.

Ao todo, o Brasil já conta com 53,9 milhões de pontos de conexão, o que representa 68,4% mais acessos em relação aos dados de outubro de 2010. Diante desse ritmo de crescimento, todos os setores só têm a ganhar, pois a comunicação e a transmissão de dados deixam de ser um empecilho. E, nesse aspecto, a área da saúde terá ainda mais chances para evoluir.

Imagens: Reprodução
Fonte: Boletim Universo EAD Senac